sexta-feira, 17 de abril de 2009

Memorial


Enquanto meus amigos decidiam para que curso prestar vestibular, minha escolha já estava certa: sempre quis ser jornalista. Lembro-me do dia que foi divulgado o resultado do vestibular da Universidade Estadual da Paraíba; minha mãe ao telefone tentando descobrir alguma informação... Após alguns minutos resolvi ligar para um amigo. Como a maioria dos meus amigos estavam tentando entrar na faculdade, ele não reconheceu minha voz a principio, disse que não havia passado. Após alguns segundos foi que perguntou quem era. Nesse momento, ele desfez o engano e possibilitou um dos momentos mais felizes da minha vida. Fui aprovada! Em 2004, deixei a cidade de Pau dos Ferros, no interior do Rio Grande do Norte, para ingressar no curso de Comunicação Social.

No primeiro ano de faculdade fui convidada por um amigo a participar de um grupo de discussões sobre o funcionamento e a legalização das rádios comunitárias da Paraíba. Nele conheci pessoas importantes para minha formação profissional, a exemplo do professor Luiz Custódio. No mesmo ano fiz parte da equipe de elaboração de um informativo interno, intitulado Jornal Imprensa, um projeto que nasceu da iniciativa de uma turma de “feras” que almejava deixar seu legado nos corredores da Universidade .

Minha curiosidade pelo universo acadêmico transpassou as paredes da sala de aula. No segundo ano de faculdade me interessei em participar de projetos de extensão. Comecei na produção e apresentação de um programa de rádio intitulado A voz da comunidade. Depois de algum tempo, por meio da minha dedicação ao projeto, fui selecionada para receber uma bolsa-auxilio. Fiquei envolvida com os projetos realizados no Decom (Departamento de Comunicação), assim como os de outros Departamentos, a exemplo do NEABÌ, realizado pelo curso de História e o Transformar para incluir, pelo curso de Serviço Social. Tive também a oportunidade de participar do programa de extensão Laboratório Itinerante, um projeto de caráter multidisciplinar, que me colocou em contato com várias comunidades da Paraíba, fazendo com que compreendesse como as diversas áreas podem atuar na melhoria do espaço social, dialogando os conhecimentos adquiridos em sala de aula com os agentes sociais.

No terceiro ano de faculdade produzi meus primeiros artigos a serem publicados, todos ligados a trabalhos desenvolvidos nos projetos de extensão. Participei do CNEU (Congresso Nordestino de Extensão Universitária), realizado na Bahia, e fiz parte da equipe de organização da II Semana de Extensão da UEPB; do 4° Seminário os Festejos Juninos no Contexto da Folkcomunicação e da Cultura Popular; do II Seminário História da Mídia Regional e do Seminário Nacional de Estudos de História e Cultura Afro-Brasileiras. Cada evento desses mostrou as minhas limitações e me ensinou a superar os desafios, assim como a buscar soluções para os problemas que surgiam. Ainda em 2007 participei da equipe de Assessoria de Comunicação do 1° Congresso Internacional de Envelhecimento Humano, uma experiência que me proporcionou um contato com a mídia nacional e que superou expectativas, já que o número de pessoas inscritas foi maior do que o esperado, em parte, graças ao trabalho de divulgação previamente realizado.

No último ano de faculdade participei de um grupo de estudo que alicerçou a construção de conhecimentos teóricos pertinentes ao meu trabalho de fim de curso. Por meio dele me aprofundei em discussões sobre a sociedade através do pensamento de Zygmunt Bauman e outros autores. O contato mais aprofundado com o jornalismo cientifico se deu através do professor Cidoval Moraes, coordenador do projeto de pesquisa intitulado "Ciência na rede: a experiência regional”, do qual fui voluntária. A vontade de participar de um projeto de pesquisa me acompanhou desde o primeiro momento como universitária. No entanto, a existência de poucos professores desenvolvendo pesquisa no Decom dificultou a minha inserção nesse campo.

Nesses quatro anos consegui participar da totalidade que constrói o conceito de Universidade, buscando me inserir em diversos projetos de extensão, dedicando-me aos estudos em sala de aula, compromissada com o aprendizado e trilhando meu caminho como voluntária em um projeto de pesquisa que me aproximou dessa categoria, de acesso ainda muito limitado. O trabalho monográfico no final do curso me despertou o desejo de continuar a pesquisar, refletir, estudar a sociedade. Baseado nos resultados obtidos na minha monografia e com o apoio do meu orientador Cidoval Moraes, redigimos um artigo que será capitulo de um livro a ser publicado no próximo mês.

Ao terminar a graduação em Comunicação Social, senti a necessidade de continuar estudando. Prestei vestibular para Letras na UEPB e fui aprovada. Inscrevi-me no Mestrado de Desenvolvimento Regional e não fui aprovada. Pago a cadeira de Turismo, Cultura e Sociedade como aluna especial no Mestrado de Sociologia UFCG e me identifiquei bastante.

Refletir sobre minha trajetória nesses quase cinco anos residindo em Campina Grande me faz lembrar dos momentos de superação, incertezas, frustrações, alegrias. Isso me reporta às férias interrompidas para procurar estágios, os currículos deixados nas empresas, a decepção por criar expectativas sobre projetos não alcançados, o anseio em participar de todas as atividades que a Universidade oferecia. Convivi com pessoas até então desconhecidas. Aprendi a amá-las. Vivenciei momentos de descobertas. Descobri-me! Percebi que o poder da educação na vida das pessoas é real. Todas essas experiências me fizeram o que hoje sou. E esse não é um ponto de chegada, e sim um ponto de partida para trilhar novos caminhos.

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