quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Despedida


Decidi que aquele trajeto teria que ser percorrido a pé. Queria sentir mais intensamente as sensações vividas na ida de ônibus. Quando resolvi me aventurar, tinha o sol quente sob mim e mil idéias borbulhando em minha cabeça. O caminho me pareceu uma despedida precoce... De tudo o que não conhecia... Das ruas, dos cheiros, dos prédios, daquilo que sempre esteve ali, e que por alguma razão não conhecia, lugares apaixonantes e completamente desconhecidos para mim. E eu viajei sozinha em pensamentos. Queria saber cada história escondida nos muros de concretos... Amores, desencontros, decepções, desejos. A cidade que sempre disse ser minha se revelou naquela manhã... Única, instigante. Eu lançava sob ela um novo olhar, uma nova leitura, que se estendia à compreensão que tenho de mim e de tudo que vivi durante esses anos.

sábado, 26 de setembro de 2009

Dúvidas sobre verdades

Realidade... palavrinha de significado complexo e enigmático. Às vezes, temos a plena certeza de conhecê-la bem, e tão bem, que nos julgamos capazes de defini-la com maestria. Os olhos de quem vê sempre se distancia do que é mostrado. Cores, sons, aromas passam por uma sutil seleção, onde enxergamos e sentimos só o que nos interessa, ou o que conseguimos captar.

Mesmo assim, nos enchemos de uma incompreensível segurança quando expomos nossas certezas sobre o mundo. E afirmamos que diante dos nossos olhos está a realidade. Simples, desnuda e palpável. Ela, entretanto, adquire nuanças múltiplas, formas variadas, em uma eterna dança que fascina o olhar inquieto, curioso, centrado, distraído, apaixonado.

O cenário que encaramos se confunde com as percepções que construímos de nós mesmo. E nesse jogo de significados o conceito de real encontra-se multifacetado, sendo difícil distinguir quando as emoções e paixões humanas interferem diretamente na nossa avaliação do mundo, do real.

Nesse momento, surge a indagação. O real existe, ou é constituído diferentemente por cada individuo?! Se o meu olhar se depara com um espaço diferente do olhar do outro, essa desconexão faz com que cada um tenha uma certeza sobre um todo por diferentes aspectos. E assim sendo, a verdade absoluta se dilui com o chegar de novas descobertas, com um outro olhar.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Jamais serei a mesma.

Nem sei por que agiu assim, se no final perdeu o que já tinhas conquistado e acabou não ganhando o que sempre almejou. Hoje cada gesto e palavra fazem sentindo. Quando tudo passa o raciocínio parece lógico.

Tenho pensado a respeito dos sentimentos, do amor; da raiva; da ira; do perdão. Em quantos mil pedaços a confiança pode ser quebrada?! Ela, ao contrário dos outros, não é cíclica; não se refaz após algum tempo. O que foi perdido, o foi para sempre.

E os momentos de reflexão e desabafo, de uma alma insegura, transformaram-se em armas e escudos. O peso de ser o que é rasga a carne daquele que já não pode mais suportar. Procura desesperado por alguém, e é fácil encontrar, é só olhar direito. O som do cristal chegando ao chão faz sofrer quem acreditava. Foi o que restaram... cacos.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

E tudo foi aprendizado

Como o tempo passa rápido. Pessoas, momentos, vivências adquirem novos significados a cada instante. E a reflexão faz-se necessária. Sendo assim, nada melhor que relembrar momentos; sentir pessoas que deixaram um pouco de si; rir com as alegrias de outrora, e com as que virão. E o riso sempre foi tão fácil. Desabrocha por qualquer motivo; pela piada mal contada, pelos erros, pelos acertos, por nada.

Nesse momento quero às lembranças boas; aquelas que nos permite felicidade somente em tê-las. Quero sentir o cheiro do café, e produzir uma gargalhada solitária. Desejo a poesia de Los para acalentar a alma. Quero reviver o conflito que nos torna mais humano; que questiona; que provoca e que traduz um sentimento de estar vivo.

Almejo uma sensação que não a do concreto que me prende. Procuro sinceridades na afeição e falta de afinidade sincera. Quero viver, e ter a impressão de que nada me falta. Quero ser feliz apenas com as lembranças que me restaram como herança de um tempo bom. E bastar-me... E isso bastará.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Memorial


Enquanto meus amigos decidiam para que curso prestar vestibular, minha escolha já estava certa: sempre quis ser jornalista. Lembro-me do dia que foi divulgado o resultado do vestibular da Universidade Estadual da Paraíba; minha mãe ao telefone tentando descobrir alguma informação... Após alguns minutos resolvi ligar para um amigo. Como a maioria dos meus amigos estavam tentando entrar na faculdade, ele não reconheceu minha voz a principio, disse que não havia passado. Após alguns segundos foi que perguntou quem era. Nesse momento, ele desfez o engano e possibilitou um dos momentos mais felizes da minha vida. Fui aprovada! Em 2004, deixei a cidade de Pau dos Ferros, no interior do Rio Grande do Norte, para ingressar no curso de Comunicação Social.

No primeiro ano de faculdade fui convidada por um amigo a participar de um grupo de discussões sobre o funcionamento e a legalização das rádios comunitárias da Paraíba. Nele conheci pessoas importantes para minha formação profissional, a exemplo do professor Luiz Custódio. No mesmo ano fiz parte da equipe de elaboração de um informativo interno, intitulado Jornal Imprensa, um projeto que nasceu da iniciativa de uma turma de “feras” que almejava deixar seu legado nos corredores da Universidade .

Minha curiosidade pelo universo acadêmico transpassou as paredes da sala de aula. No segundo ano de faculdade me interessei em participar de projetos de extensão. Comecei na produção e apresentação de um programa de rádio intitulado A voz da comunidade. Depois de algum tempo, por meio da minha dedicação ao projeto, fui selecionada para receber uma bolsa-auxilio. Fiquei envolvida com os projetos realizados no Decom (Departamento de Comunicação), assim como os de outros Departamentos, a exemplo do NEABÌ, realizado pelo curso de História e o Transformar para incluir, pelo curso de Serviço Social. Tive também a oportunidade de participar do programa de extensão Laboratório Itinerante, um projeto de caráter multidisciplinar, que me colocou em contato com várias comunidades da Paraíba, fazendo com que compreendesse como as diversas áreas podem atuar na melhoria do espaço social, dialogando os conhecimentos adquiridos em sala de aula com os agentes sociais.

No terceiro ano de faculdade produzi meus primeiros artigos a serem publicados, todos ligados a trabalhos desenvolvidos nos projetos de extensão. Participei do CNEU (Congresso Nordestino de Extensão Universitária), realizado na Bahia, e fiz parte da equipe de organização da II Semana de Extensão da UEPB; do 4° Seminário os Festejos Juninos no Contexto da Folkcomunicação e da Cultura Popular; do II Seminário História da Mídia Regional e do Seminário Nacional de Estudos de História e Cultura Afro-Brasileiras. Cada evento desses mostrou as minhas limitações e me ensinou a superar os desafios, assim como a buscar soluções para os problemas que surgiam. Ainda em 2007 participei da equipe de Assessoria de Comunicação do 1° Congresso Internacional de Envelhecimento Humano, uma experiência que me proporcionou um contato com a mídia nacional e que superou expectativas, já que o número de pessoas inscritas foi maior do que o esperado, em parte, graças ao trabalho de divulgação previamente realizado.

No último ano de faculdade participei de um grupo de estudo que alicerçou a construção de conhecimentos teóricos pertinentes ao meu trabalho de fim de curso. Por meio dele me aprofundei em discussões sobre a sociedade através do pensamento de Zygmunt Bauman e outros autores. O contato mais aprofundado com o jornalismo cientifico se deu através do professor Cidoval Moraes, coordenador do projeto de pesquisa intitulado "Ciência na rede: a experiência regional”, do qual fui voluntária. A vontade de participar de um projeto de pesquisa me acompanhou desde o primeiro momento como universitária. No entanto, a existência de poucos professores desenvolvendo pesquisa no Decom dificultou a minha inserção nesse campo.

Nesses quatro anos consegui participar da totalidade que constrói o conceito de Universidade, buscando me inserir em diversos projetos de extensão, dedicando-me aos estudos em sala de aula, compromissada com o aprendizado e trilhando meu caminho como voluntária em um projeto de pesquisa que me aproximou dessa categoria, de acesso ainda muito limitado. O trabalho monográfico no final do curso me despertou o desejo de continuar a pesquisar, refletir, estudar a sociedade. Baseado nos resultados obtidos na minha monografia e com o apoio do meu orientador Cidoval Moraes, redigimos um artigo que será capitulo de um livro a ser publicado no próximo mês.

Ao terminar a graduação em Comunicação Social, senti a necessidade de continuar estudando. Prestei vestibular para Letras na UEPB e fui aprovada. Inscrevi-me no Mestrado de Desenvolvimento Regional e não fui aprovada. Pago a cadeira de Turismo, Cultura e Sociedade como aluna especial no Mestrado de Sociologia UFCG e me identifiquei bastante.

Refletir sobre minha trajetória nesses quase cinco anos residindo em Campina Grande me faz lembrar dos momentos de superação, incertezas, frustrações, alegrias. Isso me reporta às férias interrompidas para procurar estágios, os currículos deixados nas empresas, a decepção por criar expectativas sobre projetos não alcançados, o anseio em participar de todas as atividades que a Universidade oferecia. Convivi com pessoas até então desconhecidas. Aprendi a amá-las. Vivenciei momentos de descobertas. Descobri-me! Percebi que o poder da educação na vida das pessoas é real. Todas essas experiências me fizeram o que hoje sou. E esse não é um ponto de chegada, e sim um ponto de partida para trilhar novos caminhos.

sábado, 21 de março de 2009

A Igreja e seus preceitos

Toda instituição, é claro, tem como obrigação constituir sua base apoiada em regras a serem cumpridas por todos. Uma escola é cheia delas, um banco também, até a família não escapa das famosas normas a serem seguidas por todos. A Igreja com certeza não fica fora dessa imposição social. Contudo, a sociedade não é imutável, suas práticas, seus códigos sofrem transformações constantemente. Essas transformações revelam novos códigos que são inseridos nos segmentos da sociedade, transformando também, o pensar do agente social.
Os preceitos da Igreja Católica estiveram mais uma vez em evidência quando o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, anunciou a excomunhão de todos os envolvidos no procedimento de aborto realizado em uma menina de 9 anos. Ela foi violentada pelo padrasto. Essa atitude gerou polêmica no mundo todo.
O arcebispo alegou que o padrasto não seria excomungado, já que, segundo os preceitos da Igreja essa violência é menos grave que tirar a vida de um inocente. A sociedade reagiu contra a atitude tomada pelo dom José. E essa reação gerou reflexão. Será que a Igreja Católica conseguiu acompanhar as transformações ocorridas na sociedade?
Os médicos alegaram que as duas crianças corriam risco de morte caso a gestação continuasse. A menina de 9 anos teve sua infância dilacerada no momento em que foi violentada pela primeira vez. A mãe terá que conviver com um sentimento inimaginável de dor e revolta. E a Igreja que poderia agir para acalentar a dor dessas pessoas, preferiu transformá-las em culpadas, enquanto o verdadeiro culpado tem sua “pena” abrandada pela instituição religiosa.
E mais uma vez a soberba da Igreja Católica gera conflitos de opiniões em uma grande parcela da população. Quando esta julga, condena, excomunga não abre espaço para o amor, a compaixão, o perdão. E a reação das pessoas nesse episódio sugere um novo tempo. Um tempo onde o pensamento social tem um significado muito relevante sobre práticas centenárias da instituição Católica.