
Decidi que aquele trajeto teria que ser percorrido a pé. Queria sentir mais intensamente as sensações vividas na ida de ônibus. Quando resolvi me aventurar, tinha o sol quente sob mim e mil idéias borbulhando em minha cabeça. O caminho me pareceu uma despedida precoce... De tudo o que não conhecia... Das ruas, dos cheiros, dos prédios, daquilo que sempre esteve ali, e que por alguma razão não conhecia, lugares apaixonantes e completamente desconhecidos para mim. E eu viajei sozinha em pensamentos. Queria saber cada história escondida nos muros de concretos... Amores, desencontros, decepções, desejos. A cidade que sempre disse ser minha se revelou naquela manhã... Única, instigante. Eu lançava sob ela um novo olhar, uma nova leitura, que se estendia à compreensão que tenho de mim e de tudo que vivi durante esses anos.